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Universidades privadas registam crescimento da procura pelo segundo ano


O total de alunos inscritos no ensino superior privado aumentou pelo segundo ano consecutivo. Os números disponibilizados ao PÚBLICO pelas instituições de maior dimensão apontam também para um crescimento de cerca de 7% no universo de novos estudantes que entraram neste ano lectivo no 1.º ano dos vários cursos. Este resultado significa uma inversão na tendência de quebra da procura no sector que se verificava, consecutivamente, desde o início do século.



O ensino privado estava a perder alunos desde 1999/2000. Nesse ano lectivo estiveram inscritos nas universidades particulares quase 119 mil estudantes. Uma década depois eram menos 30 mil e a queda continuou até 2014/15, quando o total de alunos no sector se cifrou em 57.299.
 
No ano passado, contudo, o número de alunos inscritos nos diferentes anos nas universidades particulares cresceu 2,1%. E este ano a tendência é para que esse registo seja melhorado.
 
De resto, será a primeira vez em 20 anos em que o número total de alunos inscritos sobe em dois anos consecutivos neste sector. “Há alguma recuperação, depois de anos complicados”, valoriza o presidente do centro regional do Porto da Universidade Católica, Manuel Afonso Vaz.
 
Concentração nas cidades
 
Ao contrário do que acontece no ensino superior público, em que a generalidade dos novos alunos é colocada por meio de um concurso nacional que dá acesso a todas as universidades e politécnicos, as candidaturas a um curso superior no sector privado são feitas directamente junto de cada uma das instituições de ensino. Por esse motivo, não existem dados centralizados no Ministério da Ciência e Ensino Superior sobre os recém-chegados às instituições privadas. O PÚBLICO recolheu os números relativos às entradas de novos alunos no ano lectivo 2016/17 junto das instituições, tendo obtido respostas de 14, entre as quais se contam as que têm maior dimensão, como a Universidade Católica, a Universidade Lusíada, a Universidade Lusófona e o grupo Laureate, que integra a Universidade Europeia, o IADE e o IPAM.
 
Em média, a procura do ensino superior privado neste grupo de 14 instituições cresceu 7% este ano. A Universidade Lusíada — que tem pólos em Lisboa, Porto e Famalicão — é a que apresenta um maior de crescimento, tendo visto aumentar em 18% o número de alunos do 1.º ano (acima do que tinha acontecido no ano lectivo passado, quando se registou um aumento de 10%).
 
A Universidade Católica, por seu lado, apresenta um aumento da procura na ordem dos 10% nos quatro centros da instituição (Lisboa, Porto, Braga e Viseu). Quem também está acima da média é a Universidade Lusófona, que cresceu 8% neste ano lectivo. Tanto num como noutro caso, o crescimento é semelhante ao verificado no ano passado.
 
Manuel José Damásio, da administração do grupo Lusófona, enquadra este crescimento numa “tendência generalizada de aumento da procura do ensino superior, que também atingiu o ensino público”. Neste ano lectivo, foram colocados 42.958 estudantes na 1.ª fase do concurso de acesso às instituições do Estado, o que representou um aumento de 2,1% face ao ano anterior.
 
Os maiores grupos do ensino superior privado beneficiam também um “efeito de concentração da procura nos grandes centros urbanos”, analisa Damásio, lembrando que tanto a Lusófona, como a Lusíada e a Católica estão presentes em Lisboa e no Porto. Também no sector público, mais de metade do total de alunos colocados entram em instituições das duas maiores cidades do país.
 
Ambiente económico
Os responsáveis das instituições contactadas pelo PÚBLICO admitem também que, à semelhança do que aconteceu no sector público, alguma melhoria do ambiente económico do país tenha contribuído para um aumento da procura.

Das instituições que disponibilizaram os seus dados, apenas a Universidade Atlântica não tem, neste momento, mais alunos inscritos do que no ano anterior. No entanto, espera ainda “ultrapassar os números do ano passado” até ao final do período de matrículas, no fim do mês, informa a sua assessoria de comunicação.
 
Tal como a Atlântica, a generalidade das instituições privadas estão ainda a aceitar novos alunos, pelo que os dados agora disponibilizados são, para já, parciais, embora a esmagadora maioria dos estudantes já esteja a frequentar as aulas. Os números finais da procura do sector só serão conhecidos no início do próximo ano civil.

Para a análise do número de caloiros que entraram no ensino privado este ano, o PÚBLICO teve em conta as seguintes instituições de ensino: os centros regionais do Porto, de Lisboa, de Braga e de Viseu da Universidade Católica; os pólos da Lusíada de Lisboa, Porto e Vila Nova de Famalicão; os pólos da Lusófona de Lisboa e do Porto; o Instituto Piaget; a Universidade Atlântica e o grupo Laureate que inclui a Universidade Europeia, o IADE e o IPAM.
 
Direito e Gestão no topo das preferências
São dois cursos clássicos e estão entre aqueles que têm maior tradição na oferta do ensino superior privado: Direito e Gestão voltam a estar no topo das preferências dos alunos. Esta é uma tendência que se tem repetido ao longo dos últimos anos e que é transversal a todo o sector. De resto, todas as instituições que disponibilizaram os seus dados ao PÚBLICO incluem estas duas formações entre as mais procuradas. Além destas, encontram-se entre os cursos mais procurados em unidades privadas cursos como Economia, Educação Física e Desporto, Marketing e Comunicação ou as formações no sector da saúde como enfermagem, fisioterapia ou osteopatia.

In Público. Samuel Silva. 23 outubro 2016.

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terça-feira, 8 de novembro de 2016